sábado, 10 de outubro de 2009

Aventuras incertas

A incerteza domina a mente, o coração e por fim o corpo, não há como fugir. Um frio estranho paira no ar, de repente um arrepio, um tremor, a sua volta tudo são sombras escusas fugindo da visão. A perturbação causada pelo medo é um meio encontrado pelos seres para evitar o perigo, uma espécie de reação a uma provável ameaça que nos serve de proteção. Do que você tem medo? Tememos muitas coisas nesse mundo e o medo é as algemas que nos privam de nossa Liberdade. Muitas vezes o medo parece engessar nossa vida de tal forma que perdemos oportunidades de ouro.

Somente a razão pode vencer o medo e a ousadia é nossa arma contra um temor irracional. Quando nos privamos de coisas boas movidos apenas pela incerteza, pelo medo de que não dê certo não estamos sendo racionais, estamos nos entregando à pensamentos que não podem nos levar a lugar algum. Se o falcão voa alto é porque um dia ousou se lançar num abismo para aprender a voar. Após uma profunda reflexão e análise racional da situação é que podemos nos lançar sem medo ao desconhecido. As decisões da vida são sempre como pontes duvidosas cruzando um rio: se quisermos chegar à outra margem temos de ousar atravessar a ponte mesmo não estando seguros de sua estabilidade.

As vezes imaginamos toda uma estrada e fazemos planos para as aventuras que pretendemos viver, contudo uma aventura só é real quando acontece sem que possamos nos dar conta, sem nos apercebermos que somos grandes aventureiros, assim as surpresas, mesmo ruins, nos farão felizes ao final da jornada. As danças mais belas e veneradas são aquelas com passos surpreendentes e inovadores, pois os mesmos passos planejados de sempre acabam não tendo graça. O que temos que perceber é que apesar de todos os medos, a maior de todas as aventuras é a própria vida.

Haverá uma recompensa? Um pote de ouro no final do arco-íris? Há uma única certeza na vida e como não sabemos se ao final da aventura seremos premiados, aplaudidos ou somente esquecidos me parece mais sábio o homem que pode aproveitar cada uma das emoções da dança antes que a música termine abruptamente. Você não concorda?

Beijos e abraços,

Max

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Concentrando

Olá! E aí, como vai a vida? Novidades nos últimos tempos? Eu estou bem, apesar de muitos acharem que não. Na verdade ando meio preocupado com o futuro. Todavia não é ele a maior preocupação de todos os homens? Se a gente não para pra pensar um pouco no dia de amanhã corremos o risco de ficar perdidos quando ele chegar. As vezes eu sinto que teria feito outras escolhas, teria vivido de outra forma, mas sempre que me vejo pensando assim outra idéia se sobrepõe: não foram esses caminhos que até agora me fizeram feliz? É, não poderia ter sido de outra forma e mesmo que pudesse, já passou, o presente é o que temos em mãos e o futuro será o resultado dele.

Comecei a me sentir um pouco deslocado. Não que eu não esteja me sentindo bem com os meus amigos, inclusive você, mas parece que eu me perdi em mim mesmo, me perdi de mim mesmo, sinto como se, pela primeira vez, eu não tivesse um centro. Isso não está me deixando triste como muitas pessoas poderiam pensar, só que também tenho sentido falta de um “algo mais” e é o vazio deixado por esse algo mais é que tem me preocupado.

Alguém poderia me dizer que é um vazio religioso, mas posso assegurar que minha Fé e minhas questões relativas à religião estão muito firmes e bem resolvidas. Assim, esclareço que não é um Deus que me falta. O mundo dos homens tem sim me decepcionado um pouco; a falta de objetivo e a mesquinhez de muitas das vidas humanas me surpreende a cada dia. Entretanto não posso classificar meus sentimentos somente como uma desilusão com as pessoas, é mais profundo, mais subjetivo, mais interno.

Estou numa nova busca e fico feliz em ter você para compartilhar comigo mais esse processo. Costumo dizer que não há caminho certo e caminho errado, apenas estradas diferentes para chegar num mesmo ponto. Acho que com tanto pra fazer, tantas coisas com que me preocupar, acabei me perdendo nessas estradas, como num labirinto, não sei mais de onde vim nem pra onde estava indo, me afastei demais do centro e agora a palavra de ordem é concentrar.

Cada pessoa encontra o seu centro, seu eixo, de um jeito. Pode ser pensando ou se esvaziando de pensamentos, pode ser falando ou permanecendo em silêncio, pode ser agindo ou simplesmente tendo paciência. Qualquer que seja o meio, todos nós, de vez em quando, temos que procurar esse alinhamento, esse centro, esse eixo do qual, como numa árvore, brotam todos os ramos de nossa vida. Espero que nós nos encontremos em breve!

Obrigado por estar sempre aí! Até mais,

Max

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Jogada silenciosa

Quando somos crianças, aprendemos a jogar o jogo dos outros, dos adultos, um jogo que não nos pertence. Então crescemos e decidimos jogar segundo nossas próprias regras, estabelecendo nossos próprios valores e ditando quem ganha e quem perde. Pode não ser o método mais justo, mas é como funciona a vida. Estabelecer o limite entre o certo e o errado é algo complexo demais para qualquer pessoa, posso ser o vencedor para mim mesmo e ao mesmo tempo não conseguir sequer o menor prêmio segundo você. Tudo é questão de regras.

Nesse grande entrelaço de jogos inúmeros podemos confundir as nossas regras com as dos outros e pensar que o melhor pra nós mesmos é aquilo que gostariam outros que fosse. Estive triste me questionando sobre meus erros, mas alguém me disse que se eu tivesse errado, então não estaria aqui, no jogo. Quando se joga com liberdade, respeitando os limites dos outros, suas regras são soberanas e não há escolha em que se possa errar.

Muito estão estranhando o silêncio e admito que ele em parte seja fruto de tristezas e momentos difíceis que tenho passado, mas os mais inconformados estavam desacostumados comigo porque me viram jogando as suas e não as minhas próprias jogadas. Aprendi a duras penas que nem sempre aquilo que queremos ver é aquilo que podem nos oferecer e essa é uma importante lição que gostaria de ensinar hoje. Você não se lembra que sempre preferi o olhar silencioso em detrimento das palavras apressadas?

As regras que estou adotando são novas, nem eu mesmo as conheço. Isso é bom porque evita que eu seja tão enfadonho quanto as pessoas que não podem surpreender ninguém com seus atos, sejam bravos ou covardes. No entanto, o silêncio que eu deixei de usar por algum tempo não deixou de fazer parte desses novos movimentos e minhas peças me parecem mais vantajosas assim.

Não se exige do falcão de olhar profundo uma atitude precipitada, pois ela está contra sua natureza. É triste pensar que podemos magoar quando não compreendem nossos atos e nossas palavras. Todavia se deixarmos de executá-los não estaremos traindo nossa própria consciência? O jogo da vida não é passivo de ser perdido, as jogas visam apenas avançar, ninguém retrocede, por mais que sejamos tentados a acreditar nisso.

Meus amados jogadores, não somos oponentes, estamos apenas em lados opostos do tabuleiro. Até breve, seu eterno amigo,

simplesmente Max

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Frutos da felicidade

Caríssimos,

Estou enviando essa carta como um esclarecimento, mas não será necessário ser muito perspicaz para notar também um pedido e um desabafo. Muitos já devem estar cansados de ouvir essa história, mas preciso dizer que passei grande parte da minha vida sob o jugo de um autoritarismo irracional em casa e acabei por aprender a submissão, talvez por minha própria decisão ou talvez por imaginar, muito antigamente, que esse era o único e correto caminho a seguir. Aprendi a reprimir a minha vontade e minha voz para evitar quaisquer confrontos, por mínimos que fossem, e vivi nesse comodismo uma paz aparente e irreal, pois dentro de mim as crises e os conflitos sempre se mantiveram.

No decorrer dos últimos seis meses me expus a situações em que não me sentia de modo algum confortável, mas me obrigava, por algum motivo, a permanecer. Tive meus sentimentos completamente desprezados e decidi não me queixar para “poupar” os outros. Como se isso e todos os outros “conflitos” de uma vida não bastassem, acabei descobrindo não um, mas inúmeros julgamentos a meu respeito ditos “inocentemente” pelas minhas costas, muito provavelmente omitidos por seus autores imaginarem que eu não fosse capaz de lidar com esse tipo de “crítica”. Isso tudo foi muito dolorido, mas não mais dolorido do que o que tenho vivido, sem dar atenção, por anos e anos. Acontece que quando a dor se torna constante, as vezes nossa mente passa a ignorá-la, as vezes passamos até mesmo a confundi-la com o prazer e a felicidade.

Ouvi um dia que “quando nos questionamos se estamos felizes, é porque não estamos” e essa é uma sábia frase, sem dúvida. Nos últimos tempos passei a me perguntar constantemente acerca de minha felicidade sem acreditar na resposta dada por essas palavras. Agora estou colhendo os frutos dessa felicidade que eu plantei por tanto tempo. Qual não é minha surpresa, meu espanto tolo ao notar que eles são exatamente o oposto do que eu, infantilmente, imaginava. Sem mais rodeios, devo dizer que estou doente. Meu organismo não foi capaz de suportar tudo isso e desenvolvi um quadro de enxaqueca acompanhada de outras “cefaléias primárias”, dores de cabeça muito mais fortes e nocivas, súbitas, terríveis e, a princípio, incuráveis.

Desprezo a provável pena que vocês devem estar sentindo, não foi para isso que escrevi. Como disse no início, essa carta é um esclarecimento e vem acompanhada de um pedido. Esse é o esclarecimento que precisava dar para a eventual surpresa que alguns podem experimentar ou até já tenham experimentado com as mudanças que, para meu próprio bem, estou pondo em prática. Vocês tem todo o direito de repudiar e negar minhas palavras ditas ou escritas em cartas, minhas ações e também minhas escolhas de agora em diante, porém, só o que lhes peço é que me respeitem e me dêem o mesmo direito que sempre dei a cada um de vocês: o direito de agir conforme sua própria consciência. Rogo para que tenha sido completamente claro, pois não estou muito disposto a ter de falar sobre isso novamente.

Sem mais, espero que todos passem bem.

Maximiliam Albano

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Lírio do Vale

Desculpe o tempo sem escrever. Muitas coisas aconteceram, estive muito ocupado, muito cansado, muito ansioso e muito triste. Tantas foram as coisas em excesso que julgo ter sido melhor assim. Quiçá, com a mente e o coração tão irrequietos, teria escrito palavras maldosas, vingativas ou até mesmo mentirosas e isso vai completamente contra o propósito das minhas cartas. Hoje, contudo, escrevo palavras que podem parecer duras, mas são seguramente verdadeiras, pois não vieram da turbulência, mas da serenidade e do equilíbrio.

Quando você se olha no espelho, o que vê? É uma pergunta difícil de ser respondida assim, tão abruptamente. As descrições de si mesmo são sempre incompletas e, portanto, totalmente falhas. Não há como sintetizar um ser como você em palavras, pois mesmo que elas componham um gigantesco livro, ainda assim a essência e a complexidade de seu ser não poderão nunca ser explicitadas. E então faço outra pergunta: Se não possuímos nem a capacidade de conhecer a nós mesmos, que direito temos de julgar pensamentos e sentimentos dos outros?

Lembro de algo que li n’O Senhor dos Anéis: “Muitos dos que vivem merecem morrer. E alguns dos que estão mortos mereciam estar vivos. Você tem o poder de dar-lhes a vida? Então não seja tão ávido em julgar e condenar alguém à morte. Mesmo os mais sábios não conseguem ver os dois lados.”. Não julgue ninguém a ponto de classificá-lo como apenas uma ou quantas sejam as características que conheça dele, você nunca conhecerá o todo. Ninguém é somente calmo ou nervoso, forte ou fraco, ninguém, em nenhuma situação, será somente digno de pena ou admiração, nem será unicamente sincero ou falso. Em especial, nenhuma pessoa pode ser resumida, de modo simplista, tolo e infinitamente cruel, a um mau ou bom coração.

Você acolheria em seu leito uma víbora venenosa porque ela nasceu sem patas? Você apertaria o caule de uma rosa contra sua mão nua porque ela é bela? Por que não encara diretamente o Sol? A víbora poderia matá-lo com seu veneno, os espinhos da rosa poderiam ferir-lhe e a luz do Sol poderia cegar seus olhos para sempre. Augusto dos Anjos diz “A mão que afaga é a mesma que apedreja” e nisso está a lição de não subestimar aquele que está ao seu lado rotulando-o como a pobre cobra, a bela rosa e o iluminado Sol, isso é um erro que pode custar muito caro, inclusive a você. O Lírio do Vale é uma flor frágil e delicada, como muitos de nós podemos parecer, ela também é chamada de “Lágrimas de Nossa Senhora”, assim como nós que podemos receber belos nomes e títulos, mas, especialmente semelhante a nós, ele possui um veneno letal e experimentar só um pouco já seria suficiente para matar.

“(...) Assim, que direito possuo de julgar, segundo minha própria lei, aquele cujos pensamentos não me são revelados? (...)” Espero que não se esqueça dessa frase, não por ela pertencer a algum poeta ou autor famoso, não obstante porque eu mesmo a escrevi em minha primeira carta...

Até breve! Seu amigo,

Maximiliam