domingo, 10 de maio de 2009

Para ela,

Hoje em especial, peço licença para deixar a modéstia de lado, mas juro que é por uma ótima causa, afinal, você quem em ensinou que humildade é uma virtude muito importante. Você é uma das poucas pessoas que, felizmente, está comigo desde sempre, sempre mesmo. Costumo dizer que todos passam, mas todos deixam parte de sua essência marcada em nossas Almas. Acho que por isso é que sou assim, por ter tanto de você em mim mesmo.

Certamente você se recorda de coisas que eu mesmo não tenho a capacidade de lembrar, mas também há coisas que podem ter lhe parecido tão singelas, mas que eu nunca poderei esquecer, as pequenas coisas que me tornaram esse Max, tão simplesmente amado como sou.

Ver a felicidade das pessoas sempre me agradou e continuo buscando algo que me faça tão feliz quanto compartilhar bons momentos com os outros. Acho que uma das vezes em que fiquei mais feliz, foi com um bolo de aniversário, ele tinha uma cobertura de glacê e “bolinhas coloridas” em cima. Para mim quilo foi tão fantástico que passei a desejar que todos pudessem ter momentos tão mágicos como aquele.

Com o passar do tempo muitos mais conheceram o garotinho pequeno e tímido e nunca faltaram elogios para o aluno mais comportado, o menino mais educado e uma criança tão inteligente. Sempre achei que não merecia todos esses adjetivos, mas existe um que tenho muito orgulho de ter: “O Bom menino”.

Daí então comecei a aprender segredos antigos e ouvi repetidas as suas palavras em cada um deles. Por mais desconhecidos que possam ser os caminhos que trilho, nunca deixaria de trilhas as estradas de honra e virtude que você me ensinou. Queria poder repetir aquela Cerimônia todos os dias, para sempre, queria poder plantar um jardim de rosas vermelhas e todos os dias te entregar a mais bonita, para provar o que sinto, para mostrar que tudo o que me deram ali, foi graças ao que aprendi com você.

Dediquei-me a ideais que podem não ser exatamente os seus, mas, em essência, o que conta é o empenho e isso é uma das maiores coisas que aprendi com você. Ajudar aos outros sempre me fez feliz e seu exemplo é, inegavelmente, um dos maiores a se seguir. A dedicação com que vive a sua vida, a capacidade de se doar completamente aos outros, isso eu sempre vou tentar imitar para que continue sempre me alegrando tanto quanto você e um dia, no futuro, possa sorrir vendo o sorriso nos rostos de uma família tão linda como a sua.

Estranhos, conhecidos, amigos, amigos-irmãos, irmãos e irmãos amigos. De todos esses eu já ouvi coisas maravilhosas sobre mim. Amigos amados já me disseram que sou seu maior confidente. Como poderia não sê-lo se a vida toda tive uma confidente como você? Grandes homens dentre os maiores deles já me disseram que meu destino está muito acima do sucesso. Se isso um dia chegar a acontecer, só terá sido possível porque antes mesmo de eu vir ao mundo, você já o desejava de todo o coração.

Nos momentos difíceis, tempestuosos e desesperadores, lá estava você, sempre forte, inabalável e ao mesmo tempo inegavelmente sensível. Sempre me perguntei como era possível tanta força e tanto amor, unidos num único ser. Digno de tentar ser imitado, esse poder é passado misteriosamente, como uma herança sagrada, um legado que não pode se perder. Graças aos atos de carinho e superação da própria dor, às palavras de amor ditas, todas com sabedoria e discernimento, às vezes somente olhares tenros trocados, graças a tudo isso você me ensinou esse seu dom, quiçá almejando que todo o mundo pudesse se beneficiar dele.

Então, acima de qualquer honraria ou prêmio, fui chamado irmão pelos mais amados amigos e esses mesmos me vêem tão diferente e tão único quanto você é para mim. Aprendi a ouvir em seus olhos como você vê nos meus, aprendi a ver em suas palavras como você vê nas minhas, e estive sempre ao lado deles quando mais precisam de mim, assim como você. A distância não importa, não há distância para tão grande sentimento. A magia que você me ensinou ultrapassa as barreiras do tempo e do espaço e só quem pode me ouvir falar, ao longe, entende o quero dizer.

E mesmo quando chegar o fim de todas as coisas, mesmo quando esse mundo passar e todos os segredos do Universo forem revelados, mesmo lá não haverá ninguém que possa fazer jus ao amor verdadeiro, aquele que significa abdicar de si mesmo e doar-se aos outros por inteiro. Esse amor que você tem por mim, mãe.

Simplesmente de mim,

Seu filho.

Essa carta se destina a todas as mães que eu conheço, mas em especial à minha “avó”, às minhas tias, às queridas mães daqueles meus Irmãos’’ , às mães dos meus amados amigos e, claro, à minha mãe. Não é por hoje, hoje não tem mais importância do que qualquer outro dia do ano, portanto, peço a vocês, filhos, que não esperem por esse dia, façam tudo, sempre, como se fosse a única vez.

domingo, 3 de maio de 2009

Próxima parada: ...

Olá! Quanto tempo que eu não te escrevo não é? Estou realmente com saudades, mas apesar de já ter começado inúmeras vezes a lhe escrever, não consigo nunca passar de um “alô!”. Nos últimos dias andei percebendo coisas e talvez tenha até entendido algumas delas. Espero te encontrar logo, mas por enquanto queria ir contando as coisas curiosas que desencadearam as minhas recentes idéias confusas.

Esses últimos tempos eu tenho me questionado bastante sobre objetivos. Temos mesmo um objetivo, mesmo que inconsciente, em tudo aquilo que fazemos? Precisamos mesmo desses objetivos pra seguir com nossas vidas? Já me disseram que fazemos tudo buscando algo, que podemos não pensar, mas nossos instintos guiam nossos atos a objetivos premeditados. Não consigo acreditar nisso. Você pode não concordar e até me achar tolo ou demasiado inocente, mas eu prefiro crer que muitas vezes agimos como agimos simplesmente porque decidimos, sem pensar, sem planejar, sem sermos tão maquiavélicos quanto dizem por aí.

Apesar de tudo estar sempre mudando nessa minha vida e de eu sempre me surpreender com os efeitos das mudanças, percebi que não foi assim com algumas finalizações. No último ano muita coisa terminou e nada me abalou, de fato. Provavelmente tenha sido assim porque já sabia quando e de que forma se dariam esses términos. Foi tudo muito tranquilo, tranquilo demais...

Ainda que independentes e ainda que eu não tenha sentido muito o impacto deles, esses rompimentos todos com coisas que faziam parte da minha vida tiveram uma grande consequencia e só agora fui entender porque é que andava tão perdido. Com todos me dizendo que é obrigatório ter um objetivo, sempre almejei chegar em certos pontos determinados em várias coisas. O grande problema surgiu quando cheguei a esses pontos. O que fazer agora que os meus “objetivos” haviam sido alcançados?

Depois de fatos marcantes, algumas pessoas costumam dizer com animação “... e agora que fiz isso posso me dizer uma pessoa realizada!” (vai me dizer que você nunca viu ninguém dizer isso). Alguns desses objetivos pessoais são muito grandes e estão nos planos das pessoas em longuíssimo prazo. Será que eles passam anos, quem sabe até uma vida toda, não realizados? Será que a vida de alguns é uma total insatisfação? Isso chega a me soar engraçado!

Não vou te falar de novo sobre meu “conceito” de felicidade, é algo muito complexo pra ficar explicando, menos ainda quero iniciar uma discussão religiosa sobre a finalidade da vida, só o que eu estou tentando te dizer é que pra mim não tem cabimento viver pra um fato, viver pra um objetivo, viver pra um único instante em meio a tantos e tantos momentos magníficos.

Comecei a sentir saudades de tudo o que findou no último ano e essa saudade me serviu para lembrar uma coisa: que apesar de ter admirado o fim, não foi exatamente dele que gostei, mas de tudo o que aconteceu até chegar ali. Isso sim, me faz bem mais sentido. Tenho ainda muitos outros pensamentos e coisas que tenho sentido pra contar, mas já escrevi bastante, fica pra uma outra vez! Espero notícias suas!

Até logo!

Max, só Max

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Silêncio

Sejam bem-vindos novamente caríssimos destinatários! Estou mandando esse recado pra dizer que não esqueci de vocês e nem parei de escrever cartas, mas algumas vezes a vida está tentando mandar sua própria mensagem e se não ficarmos quietos não conseguimos ouvir o que ela tem a nos dizer. Todo mundo sabe que se desejamos muito ouvir uma coisa, não adianta nos dizerem o contrário, porque nós conseguimos ignorar todas as outras vozes e fazê-las se parecerem com ruídos estranhos enquanto só a voz dos nossos desejos se sobrepõe a tudo. Fora a correria, não escrevi porque precisei passar um tempo quietinho, tentando só ouvir o recado que estava sendo abafado pelos outros sons: risos, gritos, vozes, lamentos e suspiros... Enfim... acho que já basta de silêncio por enquanto! É assim mesmo, como nos filmes de soldados, fui pra guerra da minha vida, peço que vocês tenham um pouquinho de paciência, em breve, muito breve mando o carteiro entregará as tão esperadas notícias! Até mais!

domingo, 15 de março de 2009

Relato das muitas lendas das "Lágrimas dos Anjos"

(Extraído do diário do Último Regente)

Os Anjos não ensinaram aos Antigos todas as aplicações da Magia, pelo contrário, lhes ditaram a lei única e base da Arte das Artes: a compreensão da essência é a chave para seu domínio. Estamos vivendo dias escuros e talvez não haja melhor momento para registrar, resumidamente, o caminho que trilhei até encontrar esse domínio, talvez isso possa ser de grande valia para meu sucessor, mesmo que não seja um grande “exemplo a ser seguido”.

A essência de cada um de nós é manifesta por um signo, velado em nossos corações até que o próprio tempo possa dar-nos conhecê-lo. Todos de nosso povo sabem disso, porém, alguns de nós, assim como eu, não perceberam logo que conhecer nosso Destino, nosso legado e mesmo nossa missão, não basta para perscrutarmos nossa essência. Percebi o legado de minha família quando era uma criança. Esforçava-me para compreender o motivo sem dar-me conta de que não há necessidade de conhecermos os motivos, mas sim de aceitarmos ou não nossos legados.

Nada nos é imposto, podemos recusar trilhar certo caminho, porém a criança não dá grande importância ao futuro e muitas vezes o teme, sendo assim, ela prefere a dúvida à escolha que a guiará ao desconhecido. Felizmente nenhum de nossos caminhos pode ser descartado e minha vida como uma criança solitária rendeu bons frutos. Pude aprender que o silêncio e a serenidade podem calar os mares e abrandar as tempestades, acima de tudo, comecei a trilhar os caminhos do olhar.

As provas da vida são duras e em diversos momentos cometemos o erro de pensar que os extremos nos bastam. Imaginei por muito tempo que a resignação seria o único caminho e por isso cada queda se tornava cada vez mais terrível. O que acontece quando se enjaula uma Fênix? Ela voltará suas chamas para dentro e morrerá, gélida, sem poder renascer. No entanto, os pássaros de fogo podem comunicar-se habilmente e se outro vier em seu socorro, ele lhe ajudará a explodir suas chamas com tal força que qualquer jaula ao seu redor será consumida.

Tive o privilégio de notar ainda bem jovem que todos aqueles que cruzam nossos caminhos tem algo para nos oferecer. Aprendi diversas lições, não só com os tutores, mas com sábios incógnitos aos quais, muitas vezes, tive a honra de chamar amigos. Alguns desses amigos queimavam como as Fênix e me ensinaram como sair da jaula que criei em torno de mim.

O tempo passou e as chamas de minha ousadia cresceram, mas ainda temia muitas coisas. Talvez o maior de todos os erros seja faltar com a Verdade. A sinceridade é o preço para que se mantenham as maiores amizades e se separem aqueles que cumpriram seu papel em nossas vidas daqueles que ainda tem uma missão a desempenhar. Esse aprendizado se deu de uma forma dolorosa, mas os sábios dizem que alto é o custo do conhecimento.

Meu período de maior aprendizado foi certamente minha permanência no Círculo de Aprendizes do Conselho. Quando fui aceito como aprendiz tive a honra de encontrar grandes cavaleiros, sábios, magos e artífices de todas as Artes. Todos puderam mostrar-me diversos caminhos a seguir. O exemplo de meus colegas me conduziu pelas estradas do amor e da alegria, aperfeiçoei-me na Arte, experimentei o doce e o amargo, pus a prova minha resistência e testei meus limites... então veio a Guerra...

Quando iniciou a Guerra das Sombras, muitos foram levados para o lado das trevas. Ainda posso ver o Senhor das Sombras tomando forma diante de nossos exércitos. Poucos conseguiam resistir ao desespero e se entregavam facilmente ao abismo. Eu era apenas um aprendiz perto de cavaleiros renomados e grandes homens. Lembro-me de nossa derradeira batalha, o sinistro inimigo ergueu sua mão direita e os campos cobriram-se de brumas negras, ficamos cegos e em desespero. Muitos, inclusive eu, se lançaram ao chão. Ali, naquele momento, lembrei-me de tudo aquilo pelo que já havia lutado, lembrei-me de todos sacrifícios que fizera, lembrei-me do gosto doce do néctar, dos bailes e das paixões arrebatadores, finalmente percebi que amava nossa terra e estava disposto ao maior dos sacrifícios para mantê-la livre. Mesmo assim, não tinha coragem de prosseguir, estava esgotado e não conseguia olhar, nem para a treva ao meu redor, nem para a luz que havia em minhas lembranças.

Como sempre ocorre nas horas em que estamos em maior desespero, surge uma força inesperada. Naquele instante de medo e terror, virei meu rosto e ao meu lado estava um amigo, um irmão no Conselho, e suas palavras foram essas: “Você quer desistir? Então desista. Mas tome sua decisão e não permaneça em dúvida. Convença-se do que realmente deseja e aja, simplesmente convença-se de sua decisão, sua escolha...”, naquele mesmo instante, mesmo com as trevas nos cobrindo, levantamos juntos e seguimos, lado a lado. Testemunhando nossa vontade, muitos outros se ergueram e nossa coragem intimidou a vontade de nosso inimigo e a treva recuou.

Vencemos aquela batalha, mas a Sombra sobreviveu. Outros ainda deverão enfrentá-la antes do Fim e como há muito foi dito, ainda será bom que o mal tenha existido. Pois por ele aprendi minha grande lição: o medo é o cativeiro dos homens e somos livres quando não tememos nossa própria essência e sabemos ouvir a vontade de nossos corações. Naquela noite, um falcão cruzou os céus e sua sombra se projetou na Lua. Compreendi então meu signo sagrado, aquele que revela a essência de meu ser. Fui um observador, um guardião dos amigos, perdi minhas forças e meu poder numa batalha, mas a Justiça entregou-me um novo olho. O maior desafio é continuar de olhos abertos tanto ante o escuro como ante a mais forte das luzes. Compreendi minha essência, possuía a chave para o seu domínio, desenhei num pergaminho o signo de meu coração.

Como o antigo costume, à décima terceira hora, do décimo terceiro dia, recebi a insígnia de prata da mão de meus amados mestres. Carrega-la-ei, orgulhosamente, para sempre.

Regente Heru-as-Aset