domingo, 23 de novembro de 2008

Chá de sumiço

Meus queridos amigos, Espero que vocês não tenham sentido muito a minha falta (mentira, espero que vocês tenham esperado ansiosamente por notícias rs). Bem, esse "chá" novo (de sumiço) que eu experimentei nesse exato um mês sem lhes escrever se deve (como vocês verão nas cartas que eu vou lhes enviar) a alguns dias menos fáceis que causaram alguns probleminhas e me fizeram não ter muita vontade de lhes escrever. Bom, estava ansioso para voltar e, finalmente, cá estou! Mandem um "oi" de vez em quando! Tenho muitas cartas para escrever, novidades para contar para os amigos, esclarecimentos a prestar, puxões de orelha pra dar... ufa! Quanta coisa! Não esqueço de vocês, nunca! Beijos e abraços, Max

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Prato do dia: salada de borboletas

Campinas, 23 de outubro de 2008.

Bom dia! Espero que você esteja tendo um dia tão bom quanto o meu! Que dia gostoso! Faz sol, o calor está grande, mas até agradável. Eu estou tranqüilo, fiz prova na quarta-feira e a tensão rotineira passou, ao menos momentaneamente.

Já faz tempo que eu quero te escrever pra falar de borboletas, mas agora a pouco é que eu percebi que não adianta ver a planta, a borboleta, sentir a brisa, todas essas coisas inspiradoras e depois me fechar numa sala isolada da natureza, com um ar condicionado construindo todo o clima e tentar escrever, isso seria artificial demais. Compreendi que até poderia escrever sobre belezas naquela sala, mas só poderia transmitir a sensação correta se estivesse num lugar como o que estou agora. Eu estou em meio às árvores, às plantas, aos pássaros, há uma brisinha leve que de vez em quando vira um vento gostoso batendo no rosto, belas pessoas passando, pra lá e pra cá, seguindo seus caminhos.

Tenho olhado bastante para as borboletas. Desde um almoço essa semana quando uma ficou me rondando. Será que ainda vai demorar muito pra nós sermos como borboletas? Vindo de mim, visto como a pessoa mais calma do mundo, pode até ser engraçado, mas eu acho que passamos rápido demais pela vida, precisávamos ir mais devagar. Daí você ri e diz “Max, se você for mais devagar você pára!”, só que eu queria que você visse de outra forma, abstraindo completamente a minha condição de físico ouso dizer que esse devagar não tem absolutamente nada a ver com tempo e muito menos com velocidade, tem a ver sim com sabor.

Os biólogos sabem melhor, mas eu chutaria que uma borboleta tem um tempo de vida extremamente curto. Mesmo assim elas voam de uma forma tão saborosa, tão cheia de leveza. Coincidentemente ou não, acabo de ver uma borboleta morrer. Suas asas batiam desesperadamente contra as folhas secas a minha volta fazendo um barulho que me chamou atenção. Parei de escrever pra olhar. Ela era forçada a parar, abruptamente. Alguns segundos depois, há alguns metros dali, reiniciava o barulho, parava de novo. Mais uma vez voltou, a última vez, o belo pássaro de penas da cor do sol poente acaba de engolir o que ainda restava seu corpo.

Eu não entendo nada de borboletas, mas uma vez tive uma experiência incrível. Uma lagarta entrou num quarto, eu a vi percorrer um longo caminho até parar num ponto na parede atrás da porta, por horas a fio. No dia seguinte ela era um casulo esquisito. Mais ou menos uma semana depois o casulo estava vazio e uma borboleta começava a se preparar para voar pela primeira vez. No final do dia ela partiu. Borboletas vivem pouco, mudam de forma, podem a qualquer momento ter a sua cabeça arrancada pelo bico de um pássaro e, mesmo assim, elas voam por aí, dançando, como se fossem eternas e inatingíveis.

Será que um dia nós seremos como elas? Poderemos saborear os momentos de nossa curta vida apreciando o gosto de cada u? Passar devagar pela vida não quer dizer ser calmo ou lerdo demais, quer dizer tentar sentir profundamente o gosto de cada segundo, se azedo ou doce, amargo ou dissabor, salgado ou picante, não importa, o que importa é degustação.

Preciso estudar. Estou com saudades de sentar num gramado só pra pensar, mas agora não dá, quem sabe outra hora, outro dia, com você. Não somos mais crianças, o futuro é muito incerto, pelo menos o suficiente pra não jantarmos tão rápido, só pensando na sobremesa. De repente, daqui a pouco, você vê que nem tem mais sobremesa pra você! Aprecie cada pedaço dessa salada de borboletas que eu cacei pra você. Até breve! Bom apetite!

Max

E aí blz?

Espero que você aproveite bem o feriado. Muito obrigado por me dar aquele sol. Durante a minha prova eu estava cansado, um pouco estressado, daí coloquei a mão no bolso e senti a sensação nova e encorajadora de segurar uma estrela. Dá a sensação de poder fazer tudo, absolutamente tudo desde que eu queira mesmo e me convença da minha Vontade. Foi uma sensação conhecida, mas ao mesmo tempo nova, me lembrou o que você disse sobre o ato de dar e receber ser só uma concretização de algo que já é real desde a intenção. Alguém me perguntou porque eu te dei o meu tempo já que ele me era tão querido, poderia explicar simplesmente lembrando uma frase do SdA: É meu para eu dar a quem quiser, como meu coração. É por isso que eu gosto desta nossa fraternidade misteriosa e surpreendente. Bom, vê se estuda também! Feriado não é só festa não! Rs... Abração!

MX

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Olhos nos olhos

Boa noite! Tudo bem com você? Ainda há pouco ocorreu algo interessante. Estava chegando em casa, com mala numa mão e guarda-chuva na outra. No meio da ampla calçada havia um gato. Eu percebi que ele estava olhando nos meus olhos. Comecei então a fitá-lo. Estava me aproximando cada vez mais. Ele não se movia. Quando parei ao lado dele, ele não esboçou reação, apenas continuou a me olhar. De repente seu olhar fica mais tenso, firme, então ele abaixa a cabeça. Fica olhando para o chão. Eu venho para casa.

Não sei realmente o que aquele gato estava fazendo ali, nem sei porque dei tanta importância ao fato. Posso não saber a cor dos seus olhos, não lembro a de quase ninguém, nem dos meus familiares e melhores amigos, no entanto, se você me pedir para descrever seu olhar eu farei um relato minucioso e verdadeiro como poucos poderiam. Apesar de meu símbolo favorito ser um olho, meu amor não é pelos olhos, mas pelos olhares. A sedução está no olhar. Olhos de gato numa noite escura. Deixe os olhos abertos então todos poderão ver dentro da sua Alma.

Queria que você me fizesse um favor, se puder. Será que você conseguiria o original, em inglês, desses versos:

“Fui para os bosques para viver livremente.

Para sugar todo o néctar da vida,

para aniquilar tudo o que não era vida,

e para quando morrer, não descobrir que não vivi.”

Eles estão no filme “Sociedade dos Poetas Mortos”. Já faz uns bons anos que eu assisti. Se não viu, veja, é um ótimo filme. Foi muito bom relembrar esse texto. Ele é uma das melhores mostras do que é a minha felicidade. Eu tenho aprendido e, devo muito disso a você, me ensinando a aniquilar tudo o que não é vida. E como isso dá trabalho! No entanto basta querer para conseguir. Além disso, qualquer sacrifício ainda é bem melhor do que morrer e descobrir que não se viveu, não é mesmo?

No bosque tem gatos a espreita. Prontos pra nos fitarem com seu olhar de julgamento e censura. Gatos pretos, gatos brancos, gatos com pelos brilhantes e foscos sob a luz do luar. Pelo jogo de olhares me deixo guiar. Eu observo olhares quentes, provocantes, olhares sob a luz do luar antigo. A mesma Lua que você vê nessa noite quente. A Lua que liga olhares distantes por um sorriso. Quarto crescente. Você tem medo de deixar os olhares se encontrarem? Tem medo do que possam ver? Acho que na verdade você tem mais medo do que você possa ver: Verdade. Ora, estar no bosque de olhares é estar no mundo selvagem: descobrir segredos pra poder provar do néctar da vida, vida livre, vida real. Quer tentar? Olhe pra mim... Vê se vive hein! Olha pra viver, vive pra olhar! Ah... Esse seu olhar!

Beijos (de olhos bem abertos),

Max