Acordei pensando em mil e uma coisas maravilhosas, muitas músicas passando pela minha cabeça, um turbilhão de sentimentos desvairados e extremamente enebriantes. Tudo ao redor parece mais vivo e marcante. As cores e sons são como uma marca de fogo, bem no peito, em cima do coração.
Vermelho. Camisa vermelha, da cor do sangue, da cor da paixão. Queria mandar sete rosas vermelhas pra alguém, talvez pra mulher mais linda do mundo: aquela que todas querem se tornar, mas poucas tem a ousadia de ser. “Toda mulher gosta de rosas”, toda mulher gosta de poesia e serenatas a luz da lua.
Esse ímpeto de vida que desabrocha em mim é como a dose de tequila que queima e traz a tona verdades veladas. Agora eu quero ser só eu, nada mais necessário e suficiente do que isso. Atenção! “É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte”.
Desconheço minhas dúvidas e todas as verdades se multiplicam e trocam de lugar com as Verdades. Então eu sonho com um enorme falcão de penas azuis, o falcão que é dono do céu. Uma de suas penas se desprende quando ele pousa. Percebi que tenho que voar livre, pois não sou Ícaro e minhas asas não são feitas de cera. Desejo, posso e vou voar mais perto do Sol, cada vez mais perto.
Já faz bastante tempo que não escrevo... Peço desculpas por não ter enviado uma carta sequer por quase um ano. Como é de se esperar, aconteceram muitas coisas nesse longo período. Não seria possível, em uma única carta, enumerar todos os acontecimentos terríveis e magníficos que sucederam, no entanto, para que consiga retomar nossa comunicação, devo falar sobre algumas situações e conclusões desse tempo. Em momento algum pensei em deixar de lhe escrever, porém, fui carregado por uma onda de preocupações, tristezas e problemas que pareciam dominar toda e qualquer ação que não fosse essencialmente necessária. Assim, deixei muitos de meus prazeres para permanecer apenas resolvendo assuntos cada vez mais prementes, no meu modo de pensar, e parte de mim acabou por adormecer.
Perdido, eu vaguei por um mundo de sonhos, todos estranhos, perturbadores e ao mesmo tempo reconfortantes. A comodidade do sonho nos faz não desejar mais enxergar o mundo como ele realmente é. A cada passo dado em direção à profundeza se torna mais difícil despertar. A loucura foi um apelo constante nesse mundo, pois, na incapacidade de resolver os conflitos do mundo externo, mente e coração se inquietavam e passavam a libertar feras soturnas, outrora abrigadas em cantos inomináveis de meu ser.
Dessa vez, não foi o salto no abismo ou o deixar consumir-se nas chamas da Phoenix e nem mesmo a tempestade formada pelas palavras de grandes mestres que me levaram a despertar. Infelizmente precisei de uma grande dose dessas coisas e ainda muitas mais para perceber que todos os monstros que eu imaginava estar vendo pela primeira vez, já haviam sido, há muito, acolhidos por mim. O despertar foi, assim como a queda na profundeza do sonho, lento e gradual.
Sempre defendi a idéia de que somos os únicos responsáveis pelos desdobramentos de nossos atos. Nessa trajetória, provei do gosto amargo das limitações e aceitei as consequências de escolhas antigas. Compreendi que o arrependimento nocivo pode sempre estar a nossa porta, porém somos nós mesmos que decidimos por dar-lhe crédito ou expulsá-lo através da aceitação de nossas limitações. Numa viagem realizada nas últimas férias, eu reencontrei uma tolerância que esquecera e pude, finalmente, vislumbrar a beleza onde havia me convencido só existir treva.
Cada lágrima, sorriso e grito, cada dor sentida ou compartilhada, cada uma das crises de enxaqueca, cada uma das palavras escutadas, das decepções, surpresas e felicidades, cada um dos amigos, tanto presentes quanto ausentes, cada novidade e escolha, cada mudança de postura, cada notícia, boa ou má, cada erro tolerado, admitido e perdoado, tudo isso foi, aos poucos, me fazendo despertar, não como antes, mas novo, com novos poderes.
Pode parecer que essa carta não acrescente nada de novo, pois, como em muitas outras vezes, vivi situações marcantes e elas me ensinaram algo, entretanto, devo dizer que dessa vez me percebi muito mais frágil e passivo de erros, consequentemente, me tornei muito mais forte. O que diferencia os verdadeiros Triunfantes é o fato de aceitarem as adversidades, especialmente aquelas pelas quais eles mesmos são responsáveis, admitindo serem simples seres humanos imperfeitos e, desse modo, se tornarem os mais grandiosos seres humanos buscadores da perfeição. Todos necessitam de ajuda, o tempo todo, basta olhar em volta. Ajude alguém hoje, ajude a si mesmo.
Muito obrigado por não esquecer de mim! Espero sua resposta! Em breve nos corresponderemos novamente!
A incerteza domina a mente, o coração e por fim o corpo, não há como fugir. Um frio estranho paira no ar, de repente um arrepio, um tremor, a sua volta tudo são sombras escusas fugindo da visão. A perturbação causada pelo medo é um meio encontrado pelos seres para evitar o perigo, uma espécie de reação a uma provável ameaça que nos serve de proteção. Do que você tem medo? Tememos muitas coisas nesse mundo e o medo é as algemas que nos privam de nossa Liberdade. Muitas vezes o medo parece engessar nossa vida de tal forma que perdemos oportunidades de ouro.
Somente a razão pode vencer o medo e a ousadia é nossa arma contra um temor irracional. Quando nos privamos de coisas boas movidos apenas pela incerteza, pelo medo de que não dê certo não estamos sendo racionais, estamos nos entregando à pensamentos que não podem nos levar a lugar algum. Se o falcão voa alto é porque um dia ousou se lançar num abismo para aprender a voar. Após uma profunda reflexão e análise racional da situação é que podemos nos lançar sem medo ao desconhecido. As decisões da vida são sempre como pontes duvidosas cruzando um rio: se quisermos chegar à outra margem temos de ousar atravessar a ponte mesmo não estando seguros de sua estabilidade.
As vezes imaginamos toda uma estrada e fazemos planos para as aventuras que pretendemos viver, contudo uma aventura só é real quando acontece sem que possamos nos dar conta, sem nos apercebermos que somos grandes aventureiros, assim as surpresas, mesmo ruins, nos farão felizes ao final da jornada. As danças mais belas e veneradas são aquelas com passos surpreendentes e inovadores, pois os mesmos passos planejados de sempre acabam não tendo graça. O que temos que perceber é que apesar de todos os medos, a maior de todas as aventuras é a própria vida.
Haverá uma recompensa? Um pote de ouro no final do arco-íris? Há uma única certeza na vida e como não sabemos se ao final da aventura seremos premiados, aplaudidos ou somente esquecidos me parece mais sábio o homem que pode aproveitar cada uma das emoções da dança antes que a música termine abruptamente. Você não concorda?
Olá! E aí, como vai a vida? Novidades nos últimos tempos? Eu estou bem, apesar de muitos acharem que não. Na verdade ando meio preocupado com o futuro. Todavia não é ele a maior preocupação de todos os homens? Se a gente não para pra pensar um pouco no dia de amanhã corremos o risco de ficar perdidos quando ele chegar. As vezes eu sinto que teria feito outras escolhas, teria vivido de outra forma, mas sempre que me vejo pensando assim outra idéia se sobrepõe: não foram esses caminhos que até agora me fizeram feliz? É, não poderia ter sido de outra forma e mesmo que pudesse, já passou, o presente é o que temos em mãos e o futuro será o resultado dele.
Comecei a me sentir um pouco deslocado. Não que eu não esteja me sentindo bem com os meus amigos, inclusive você, mas parece que eu me perdi em mim mesmo, me perdi de mim mesmo, sinto como se, pela primeira vez, eu não tivesse um centro. Isso não está me deixando triste como muitas pessoas poderiam pensar, só que também tenho sentido falta de um “algo mais” e é o vazio deixado por esse algo mais é que tem me preocupado.
Alguém poderia me dizer que é um vazio religioso, mas posso assegurar que minha Fé e minhas questões relativas à religião estão muito firmes e bem resolvidas. Assim, esclareço que não é um Deus que me falta. O mundo dos homens tem sim me decepcionado um pouco; a falta de objetivo e a mesquinhez de muitas das vidas humanas me surpreende a cada dia. Entretanto não posso classificar meus sentimentos somente como uma desilusão com as pessoas, é mais profundo, mais subjetivo, mais interno.
Estou numa nova busca e fico feliz em ter você para compartilhar comigo mais esse processo. Costumo dizer que não há caminho certo e caminho errado, apenas estradas diferentes para chegar num mesmo ponto. Acho que com tanto pra fazer, tantas coisas com que me preocupar, acabei me perdendo nessas estradas, como num labirinto, não sei mais de onde vim nem pra onde estava indo, me afastei demais do centro e agora a palavra de ordem é concentrar.
Cada pessoa encontra o seu centro, seu eixo, de um jeito. Pode ser pensando ou se esvaziando de pensamentos, pode ser falando ou permanecendo em silêncio, pode ser agindo ou simplesmente tendo paciência. Qualquer que seja o meio, todos nós, de vez em quando, temos que procurar esse alinhamento, esse centro, esse eixo do qual, como numa árvore, brotam todos os ramos de nossa vida. Espero que nós nos encontremos em breve!